domingo, 7 de setembro de 2014

As Histórias de Terror do Tio Montague


Chris Priestley (2012). As Histórias de Terror do Tio Montague. Lisboa: Arte Plural.

Tão bom, sentir aquele arrepio na espinha provocado por palavras que nos trazem histórias tétricas. Ainda sabe melhor se das páginas se levantar um ambiente soturno de velhas casas a ranger, florestas cujas árvores retorcidas intimidam quem as atravessa e crianças malévolas brincam na distância. Estes contos de terror mergulham-nos num escuro mundo gótico através dos olhos de Edgar, um rapaz apaixonado pelas histórias contadas pelo seu tio Montague, que talvez não seja seu tio, e que talvez já tenha sido tio dos seus pais e continuará a ser um tio a viver numa casa decrépita cheia de mistérios muito depois de Edgar desaparecer.

A biblioteca da casa está cheia de curiosos artefactos e todos têm uma história macabra que arrepia. Temos o rapaz que igonra o aviso de não trepar a uma árvore. Não cai, ficará a fazer parte da árvore. Ou a falsa vidente que acaba por se ver aprisionada numa casa de bonecas que é a réplica da casa onde foi tentar um assalto aproveitando a credulidade da dona da casa mas sendo apanhada pelo fantasma de uma irmã falecida. A rapariga ostracizada numa festa que partilha um esconderijo com o fantasma húmido da vítima de um horrendo assassíno. O jovem entediado que numa aldeia turca consegue finalmente interessar-se por uma criatura que é um djinn assassino. A escultura possuída por um demónio que vai passando de vítima em vítima, escolhendo um inocente rapaz cujo destino será mortífero. O rapaz que num acesso de cupidez decide roubar o ouro a uma velhota que está sempre a aparar as suas árvores e como castigo é transformado numa árvore a ser aparada. Estas e outras são as histórias nesta colectânea de contos à qual nem falta um misterioso anfitrião para nos narrar as tristes desventuras dos azarados personagens.

Priestley mistura de forma muito elegante o conto gótico de sobrenatural, a história moralista e o relato de terror clássico com uma linguagem simples mas eficaz. São terrores bem contados, sempre surpreendentes, e que encantam pelo cuidado na construção de um cenário grotesco na mente do leitor. Numa linguagem muito elegante e com um estilo narrativo que cativa o leitor, estes contos de terror encantam pelo arrepio que provocam na espinha daqueles que se atreverem a lê-los. Uma excelente proposta na vertente mais tenebrosa do fantástico constante do Plano Nacional de Leitura.

terça-feira, 2 de setembro de 2014

O Engenho dos Sonhos



Carina Portugal é uma jovem escritora portuguesa de literatura fantástica cuja prosa se caracteriza por uma notável imaginação, prosa delicada e uma encantadora visão inocente com que explora o lado mais tradicional da ficção fantástica. Publica agora na plataforma Smashwords uma colectânea de alguns dos seus contos e poemas, reunindo alguma da obra dispersa no Fantasy & Co e nas suas páginas pessoais. É gratuito e pode ser lido facilmente em pdf, epub, mobi ou no browser. Visitem, leiam e apaixonem-se pela prosa simples e imaginário desta escritora: O Engenho dos Sonhos. E já que estão pelo Smashwords aproveitem e levem também o belíssimo steampunk de Coração de Corda, também desta promissora autora.

domingo, 11 de maio de 2014

O Senhor da Guerra dos Céus


Michael Moorcock (2009). O Senhor da Guerra dos Céus. Edições Saída de Emergência.

Este livro é uma intrigante e bem urdida experiência de Moorcock no campo das ucronias. A história do Capitão Bastable, oficial colonial que ao tentar pacificar uma discreta mas aguerrida tribo que se mantém irredutível numa misteriosa cidade doa Himalaias se vê no meio de um arrasador terramoto e desperta décadas depois num quase irreconhecível mundo futuro replica um elemento clássico da ficção fantástica, do Rip van Winkle de Irving ao John Carter de Burroughs ou Buck Rogers de Nowlan, todos heróis que acordam em futuros longínquos ou mundos de fantasia.

Moorcock aproveita para fazer um delicioso What If, equacionando um século XX onde as potências ocidentais não se aniquilaram nos campos de batalha da Flandres. O imperalismo colonialista que caracterizou o final do século XIX é aqui extrapolado pelo século XX dentro, com as tensões do Grande Jogo colonial mantidas artificalmente vivas por um consenso entre as Potências que incluem, para além dos suspeitos do costume, uns Estados Unidos fãs de estenderem o manto de protectores sobre a Indochina, um assertivo império nipónico que vai modelando um novo Japão numa China dividida entre enclaves coloniais e territórios controlados por senhores da guerra, e um império russo que cedeu às pressões democratizantes mas não se desagregou em sovietes. Resta, como esperança de um mundo diferente e pós-colonial, um senhor da guerra chinês que congrega no seu bem defendido território anarquistas, rebeldes e dissidentes de todo o mundo e desenvolve novas armas capazes de defrontar as bem armadas frotas de dirigíveis imperiais - ágeis aeronaves mais pesadas do que o ar, capazes de abater os pesados zeppelins, e uma arma suprema desenvolvida por físicos dissidentes que será lançada sobre a cidade japonesa de Hiroshima, ponto de encontro das frotas aladas aliadas que se congregam para aniquilar a cidadela do progressista senhor da guerra que está a provocar inquietação em todo o mundo colonizado.

É neste cenário que se move Bastable, salvo das ruínas himalaias por um dirigível da polícia fronteiriça do Raj anglo-indiano. É levado às glórias urbanas de Bombaim e Londres, cidades que resplandecem de utopia retro-arquitectónica. Atravessa os domínios do império ao serviço de um dirigível de transporte que o leva às américas. Ao perder a paciência com um passageiro excepcionalmente cretino é obrigado a despedir-se, e arranja emprego como aeronauta com um misterioso capitão que acaba por se revelar um dos rebeldes que ameaça a segurança e estabilidade do império. A sua primeira reacção é de intenso patriotismo, mas falha ao tentar aprisionar os rebeldes. Estes revelam-se menos violentos do que esperavam, e levam Bastable ao covil do senhor da guerra, mostrando-lhe o outro lado da utopia imperialista: os povos colonizados, com direitos negados na sua própria terra, permanentemente subalternizados e explorados. Bastable vai-se transmutando de fiel servo de Sua Majestade num homem realista, capaz de perceber os vícios institucionais e com vontade de combater as injustiças que grassam no mundo. Algo que tem o seu quê de retrato da humanidade num século que começou imperial e colonialista mas terminou fragmentado em nacionalismos exacerbados.

A linguagem visual de Moorcock dá a este livro um carácter apaixonante. O périplo por este futuro retro de uns anos 70 do século XX diametralmente diferentes do que realmente foram é nos dado por uma linguagem clara que nos deixa a imaginar um estilismo que mistura o lustro art-deco com a ornamentação belle-époque e o visual tecnológico dos primórdios da era industrial. Em essência, a iconografia do que mais tarde iremos apelidar de estilo steampunk, mas neste livro um constructo ficcional que tenta criar um mundo alternativo com verosimilhança visual e se inspirar nos estilos que marcaram o início do século XX. A desejável imutabilidade imperial está patente na permanência de uma elegância mais à vontade no 1900 do que no 2000.

Talvez o momento em que este livro melhor revela a sua riqueza ficcional é o da empolgante batalha que opõe uma armada de dirigíveis imperiais aliados às forças tecnologicamente mais flexíveis do senhor da guerra, um momento excepcional num livro já de si de excepção. Este é o verdadeiro senhor da guerra dos céus, um Robur asiático amante dos ideais de libertação.

Um merecido clássico da literatura de ficção científica, de leitura compulsiva, e um digno inspirador da estética steampunk. A ousada iconografia desta obra de Moorcock é uma das centelhas do movimento, fonte de inspiração para a sua estética tão especial. A edição portuguesa da Saída de Emergência é uma excelente forma de mergulhar neste fantástico mundo ficcional.

domingo, 6 de abril de 2014

Utopias 2014


Foi assim, ontem no Centro Cultural de Cascais, onde decorreu o workshop Visões de Utopia no âmbito do Utopias 2014. Seis participantes a descobrir um vislumbre da vasta história da FC, a folhear o que se fez e se faz por cá nos domínios da FC & F, e ideias arrojadas a serem reconstruídas e intepretadas em micro-ficções e vinhetas gráficas. Foi uma experiência muito recompensadora. Apesar de estar a falar sobre temas que me intrigam e um género literário que me apaixona estava muito longe da minha zona de conforto no que toca a dinamizar workshops. Das vezes que já o fiz teve mais a ver com colocar professores a descobrir que o 3D não é tão difícil quanto isso do que fazer algo no campo literário. Fui como leitor e fã, para partilhar ideias e desafiar os participantes a brincar com percepções sobre tecnologias de vanguarda que nos prometem futuros. Espero que tenham gostado. Fiquei com a sensação que sim.



Parece, mas não, não passei o tempo a ler os livros e revistas de FC e fantástico portuguesas que ensaquei e acartei para o espaço que me foi destinado no Centro Cultural de Cascais. Os responsáveis do Centro, quando lá passei a fazer o reconhecimento prévio do espaço no dia anterior, disseram-me que aquele era o espaço possível porque era o único onde havia uma parede branca para projectar. Sem o saber fizeram-me um favor. Teve um gostinho especial conversar sobre estes temas no meio da obra pictórica do Pedro Zamith, tão próxima das estéticas da BD e dos comics.

A imagem foi do momento de trabalho, onde os participantes iam escrevendo micro-contos e íamos conversando sobre os livros que estavam disponíveis para pegar, folhear, ler e descobrir o nosso manancial do género. É interessante ver como o design do Almanaque Steampunk deslumbra quem nele pega, que a Bang! desperta a atenção pela sua existência, e que todos têm memórias da lendária colecção de capa azul da Caminho. Tinha planeado que o workshop terminasse com uma hora dedicada à leitura, mas acabou por se desenrolar em leituras e conversa sobre ideias de futuros.


Em breve ficarão online as notas e materiais que organizei para o workshop. Já o ebook vai demorar mais um pouquinho. Há que transcrever os textos. E também preciso de descansar um pouco. Mas não muito, que os meus relógios cerebrais já me recordaram que outros desafios estão a aproximar-se dos prazos de necessárias conclusões.

segunda-feira, 24 de março de 2014

Palmas para o Esquilo


David Soares, Pedro Serpa (2013). Palmas para o Esquilo. Lisboa: Kingpin Books.

A simplicidade luminosa do traço de Perdo Serpa contrasta com o peso das palavras de David Soares. Palmas para o Esquilo mergulha-nos numa reflexão profunda sobre as fronteiras difusas que separam o sonho da alucinação e a criatividade da loucura. Da base narrativa, que nos leva a visitar duas personagens residentes num manicómio simbolicamente pintado de amarelo, constrói-se uma reflexão a partir da análise de pulsões e alucinações. Sublinha uma concepção romântica de inquietude do espírito criativo, mostrando que as fronteiras entre sonhos insanos, delírios imaginários e a busca incessante por novas ideias não são estanques e, em casos limite, podem ser uma mera questão de pontos de vista. Tudo isto embrulhado de forma simpática num tom de aparente inocência trazido pela simplicidade do esquema de cores e do traço do ilustrador.

sábado, 22 de fevereiro de 2014

As Minas de Salomão


Que mistérios se ocultam nas profundezas das selvas africanas? Quantas aventuras poderemos ter entre tribos perdidas, civilizações esquecidas e ruínas de velhas cidades devoradas pela floresta verdejante? No centro dos mistérios encontramos a misteriosa raínha branca, talvez imortal, capaz de levar os homens à loucura com o seu olhar.

As aventuras de Allan Quatermain estão entre o que há de mais clássico no romance de aventuras africanista do século XIX e XX. Percursor de Tarzan e tantos outras personagens que se aventuram no coração selvagem das trevas das selvas africanas, H. Ridder Haggard encantou e encanta gerações com as suas histórias de aventura no continente negro, na época um ainda lugar misterioso com uma aura selvagem. Foi traduzido para português por Eça de Queirós e o Projecto Adamastor acaba de lançar uma nova revisão e formatação em suporte digital. Visitem a página do livro no site do projecto e descarreguem para ler este clássico da literatura empolgante num tablet, telemóvel ou e-reader: As Minas de Salomão.

quinta-feira, 20 de fevereiro de 2014

Robopocalipse


Daniel Wilson (2014). Robopocalipse. Lisboa: Bertrand.

As especulações e antevisões sobre a robótica são o elemento mais interessante deste livro . O autor é investigador na área e isso nota-se nas suas descrições tecnicamente plausíveis de robots construídos pelo homem, robots auto-evoluídos e inteligências artificiais, uma das quais é afectada por um complexo deificador napoleónico que a leva a tentar dominar o planeta e a exterminar a humanidade para, paradoxalmente, a proteger. A narrativa é divertida e escrita a bom ritmo, com uma história que parte de premissas e conceitos interessantes e actuais cujo senão é desenrolar-se como uma aventura simplista. Confesso que estou indeciso entre saudar a Bertrand por publicar este livro de Ficção Científica, apesar de não o tornar explícito nas colecções que edita, ou de refilar com um bolas, com tanta coisa boa que se faz em FC vão logo publicar um romance mediano. Mas, precisamente por ser um livro simples, diria que é uma boa leitura para leitores adolescentes a despertar para as maravilhas da ciência e tecnologia.

Em termos puramente literários Robopocalypse não é grande coisa. A escrita é sólida, mas totalmente previsível. Nunca é muito bom perceber-se qual é o fio narrativo e como o livro vai acabar logo nos primeiros parágrafos. A leitura das restantes páginas torna-se penosa, e é pena, porque o que falta em estilo literário é amplamente complementado por conceitos de robótica avançada aplicados à linha do romance. Neste aspecto o livro brilha com conceitos que vão de andróides que adquirem sentiência ao trabalho de cientistas otakus que transferem as suas emoções para robots humanóides e trabalham para lhes dar um espírito dir-se-ia que humano. As personagens deste livro têm de enfrentar ao longo da sua odisseia uma vasta gama de criações robóticas adaptadas que vão de minas automáticas a carros autónomos, todas cooptadas por uma inteligência artificial que na sua décima segunda iteração se liberta do confinamento num laboratório seguro e tenta exterminar a humanidade. De todas as criações destacaria os cyborgs híbridos criados pela IA renegada e uns muito arrepiantes robots capazes de reanimar humanos mortos. Adoraria ver estes renderizados e animados em 3D.

Inteligência Artificial renegada, extermínio, guerra... está-se mesmo a ver por onde é que este livro vai. Após os primeiros momentos de extermínio a humanidade reorganiza-se e dá uma coça aos robots. Com ajuda de alguns que no processo se tornaram inteligências autónomas e estão tão pouco dispostos a servir humanos como a servir überIAs. Se como obra literária este livro deixa muito a desejar, certamente que terá futuro no cinema. A narração lê-se como um guião, cheia de diferentes pontos de vista, e o tema adapta-se particularmente bem a uma produção cheia de efeitos especiais que se for cuidada poderá criar um filme memorável que capture os interessantes conceitos que estão na espinha dorsal desta obra.

domingo, 16 de fevereiro de 2014

O Oceano no Fim do Caminho



Neil Gaiman (2014). O Oceano no Fim do Caminho. Lisboa: Presença.

Entre o hype mediático e a ansiedade dos fãs de Gaiman este era talvez um dos livros mais aguardados do momento. O autor não desilude, trazendo-nos um dos seus já habituais contos em que as barreiras do real são difusas e personagens em jornadas de auto-descoberta se cruzam com criaturas míticas, forças ocultas e segredos milenares.

Apesar de definido com um livro "adulto", estruturalmente parece muito similar a Coraline, só que em vez de uma rapariga que se sente ignorada pelos pais temos um rapaz que vive com o nariz enfiado nos livros como herói, as forças malévolas não estão do lado de lá do espelho mas vêm de terras e tempos distantes paralelos ao nosso, as personagens secundárias excêntricas que ajudam Coraline são aqui três mulheres de idade incerta que vigiam a eternidade e são vagamente insinuadas como mitos encarnados que se manifestam na mais nova, com o aspecto de uma criança, que salva o ingénuo rapaz amante de livros de ameaças de criaturaras aparentemene todo poderosas. O oceano no lago é um portal para outras eras e geografias de onde se escapa uma criatura que nada mais quer fazer do que agradar, e para isso afoga as suas vítimas em riquezas. E há um gato, claro. Uma história de Gaiman com uma criança a descobrir um mundo onde realidade e fantasia se misturam sem um gato misterioso que se torna companheiro inseparável do inocente personagem principal, bem, não seria uma história de Gaiman.

O Oceano no Fim do Caminho é um típico livro de Neil Gaiman, escritor formulaico cujas narrativas seguem sempre a mesma estrutura, apenas variando os adereços visuais das aventuras dos seus personagens. O que safa Gaiman é a sonoridade da sua prosa, que encanta, embala e deixa o leitor embrenhar-se na história. Gaiman faz parecer fácil o contar de uma boa história.

quinta-feira, 13 de fevereiro de 2014

Leituras digitais


À procura de boas leituras em língua portuguesa? O escritor Manuel Alves organizou uma página onde se pode aceder facilmente aos seus contos e livros em formato digital. Se quiserem ler boas histórias de ficção científica, fantasia ou steampunk em português visitem a página deste jovem e dinâmico escritor: Juro Que Minto. Não se apoquentem que não há mentiras nenhumas, apenas boas histórias. Parte delas podem ser descarregadas gratuitamente para os vossos tablets ou telemóveis.

quarta-feira, 12 de fevereiro de 2014

Comics Marvel em Português


Vi a notícia no Leituras de BD e, poucos dias depois, à venda. Esta iniciativa recupera para edição portuguesa alguns dos mais icónicos comics da Marvel. A Panini vai colocar regularmente nas bancas os Vingadores, o Homem-Aranha e os X-Men. Só se pode aplaudir a iniciativa, e esperar que cative leitores. Tal como o Leituras de BD eu também preferiria comics da DC, mas parece-me que o importante aqui não é agradar aos fãs de sempre do género mas sim cativar novos leitores. O preço é relativamente acessível, mas recompensador se notarmos que cada edição colige três histórias actuais, impressas em papel de boa qualidade. Se gostam de banda desenhada, comics, filmes de super-heróis ou leituras divertidas experimentem estas novas revistas! Na primeira edição a super-equipe do Homem de Ferro, Capitão América, Hulk e Thor enfrenta uma ameaça cósmica em Marte e, capturada pelos vilões, tem de recorrer... e mais não conto, vão ler!

domingo, 22 de dezembro de 2013

Leituras Digitais

À procura de leituras para aproveitar bem o tempo de pausa lectiva? Ficam aqui algumas sugestões gratuitas de literatura fantástica em português.


A revista Bang! (que também se pode encontrar em papel no Centro de Recursos Poeta José Fanha) já colocou online a versão digital da sua edição mais recente.


O fanzine Fénix desafiou autores portugueses a reimaginar visões de natal para a sua terceira antologia. Pode ser descarregada no Smashwords.


Do outro lado do atlântico chega-nos este promissor projecto Trasgo. FC e fantasia com sotaque brasileiro, a descobrir na página do projecto.

Estas edições digitais são publicadas em pdf e epub, formatos óptimos para experimentar usar os tablets e os phablets que cada vez mais trazem para a escola para ler livros em formato digital. Atrevam-se!

quinta-feira, 12 de dezembro de 2013

Visões de Utopia


Concurso de ilustração e multimédia.

Inspira-te no imaginário da Ficção Científica e Fantástico e cria as tuas visões! Desafia os teus professores de Educação Visual, Artes ou TIC a participar!

Escalões:
1 - 2.º e 3.º Ciclos do Ensino Básico
2 - Secundário

Vertentes:

Ilustração: trabalhos gráficos em desenho, pintura ou colagem.
Multimédia: trabalhos digitais em 3D, imagem, vídeo ou Scratch.

Concorre até 1 de Maio de 2014 em livros.de.utopia@gmail.com. São aceites inscrições individuais ou por turma.

O concurso Visões de Utopia pretende estimular a expressão criativa através do imaginário literário e mediático da Ficção Científica e Fantástico. Está aberto a alunos dos 2.º e 3.º ciclos do ensino básico e secundário. São aceites trabalhos de expressão plástica em suportes tradicionais em desenho, pintura ou colagem ou digitais em imagem fixa 3D, pintura digital ou colagem, pequenos vídeos ou projectos em Scratch.

As temáticas prendem-se com os géneros de FC e Fantástico, podendo os participantes criar visões futuristas, inspiradas no fantástico ou ilustrar passagens e elementos de obras destes géneros.

A propriedade intelectual dos trabalhos enviados a concurso é pertence exclusivamente aos criadores, embora a organização do Visões de Utopia se reserve o direito de divulgar publicamente os trabalhos seleccionados em meios digitais e em exposição a organizar no âmbito do Fórum Fantástico 2014, referenciando sempre os autores.

Esta iniciativa é promovida em conjunto com a Épica - Associação Portuguesa do Fantástico nas Artes e Biblioteca Municipal Orlando Ribeiro no âmbito do projecto Livros de Utopia.

Para mais informações contactem-nos através do email livros.de.utopia@gmail.com.

domingo, 17 de novembro de 2013

Hello world!


Momento <hello world> no arranque do Fórum Fantástico 2013 acompanhado pelo infatigável Rogério Ribeiro, o grande desafiador desta e doutras iniciativas. Para breve mais novidades.

quinta-feira, 14 de novembro de 2013

Fórum Fantástico 2013


Ponto de encontro anual para os fãs do fantástico e ficção científica, o fórum é um evento anual dedicado às várias vertentes destes géneros. São três dias dedicados a livros, banda desenhada, ilustração, cinema, animação e jogos onde se podem trocar experiências, conviver com autores convidados, descobrir ou redescobrir as novidades do ano e adquirir livros em livrarias especializadas. Este ano decorre na Biblioteca Municipal Orlando Ribeiro em Telheiras de 15 a 17 de Outubro. Podem consultar o programa na página do Fórum Fantástico. Este ano o destaque vai para a presença de Ian McDonald, autor de Brasyl, Desolation Road e o steampunk Young Adult de Planesrunner. Para além deste autor, conta-se com a presença de David Rebordão, realizador do recente filme português de ficção científica RPG, a apresentação do livro História dos Videojogos em Portugal com a presença do autor, Dr. Nelson Zagalo, Filipe Melo e os restantes conspiradores de As Incríveis Aventuras de Dog Mendonça e Pizzaboy, ou a estreia de Esperânsia, curta metragem de animação do superlativo Claúdio Jordão, entre muitos outros momentos interessantes. Imperdível para os fãs do fantástico!

quinta-feira, 31 de outubro de 2013

Leituras Assustadoras


Porque o terror literário é divertido, assustamos com esta imagem evocativa criada por Carl Barks, o ilustrador que deu a forma que conhecemos aos personagens da Disney. Não haveria Pato Donald e amigos sem o seu trabalho.

31 de Outubro, noite dos terrores, dos ruídos soturnos, dos calafrios provados pelo medo do desconhecido. Que leituras poderemos escolher para nos arrepiarmos ainda mais na noite dos arrepios? Podemos mergulhar no soturno século XIX com as fabulosas histórias arrepiantes de Edgar Allan Poe. Entre as Histórias Extraordinárias e Os Crimes da Rua Morgue (livro recomendado pelo PNL) o assombro é garantido. Ou então porque não pegar na prosa encantadora de Neil Gaiman e ficar a conhecer o rapaz que vive num cemitério, educado pelos simpáticos fantasmas em A Estranha Vida de Nobody Owens? Para os fãs de horrores mais apocalípticos fica a sugestão de descobrir a obra de H. P. Lovecraft. Quem descobre os terrores de Cthulhu e dos restantes pesadelos congeminados descobre uma paixão literária para a vida. Traduções de Lovecraft para português estão disponíveis graças à editora Saída de Emergência.

Ou, porque não, pegar nos clássicos Drácula e Frankenstein descobrindo os textos originais que são tão influentes noutros livros, no cinema ou jogos? Leitores com gosto mais contemporâneo podem descobrir os livros de Stephen King ou Richard Matheson. Quem lê em inglês pode - deve - experimentar a tradição de ler A Night In The Lonesome October, romance de Roger Zelazny que reúne todos os monstros imaginários do cinema e literatura numa luta pelo domínio do mundo cujo clímax acontece na noite do Halloween. A tradição é ler um capítulo por dia até ao ao dia 31, onde se descobre se são os bons ou os maus monstros os que saem vencedores da luta que todos os anos se repete.

Procurem estes (e outros) livros nas vossas bibliotecas escolares. Boas leituras e bons arrepios! I bid you good evening.

domingo, 27 de outubro de 2013

Leiam.

Numa palestra recente sobre o futuro das bibliotecas, Neil Gaiman faz uma brilhante apologia do livro e da literatura como recreio da mente, assumindo o mergulho em mundos de fantasia como um recreio para a imaginação que nos enriquece enquanto pessoas. Toca de forma brilhante em vertentes aparentemente tão díspares quanto o carácter preditivo da ficção científica e sua influência sobre cientistas e engenheiros, liberdades de escolha literária, o saber dar espaço às crianças para desenvolverem o seu gosto sem imposições externas, bibliotecas como centros que permitem acesso gratuito à cultura. E, essencialmente, da leitura como porta de acesso e estímulo à imaginação humana, libertando a mente, abrindo novos horizontes e estimulando o desenvolvimento individual.

Gaiman termina citando Einstein, dizendo que "asked once how we could make our children intelligent. His reply was both simple and wise. "If you want your children to be intelligent," he said, "read them fairy tales. If you want them to be more intelligent, read them more fairy tales." He understood the value of reading, and of imagining. I hope we can give our children a world in which they will read, and be read to, and imagine, and understand." Mas talvez a melhor frase em que Gaiman sintetiza com precisão onde quer chegar com a sua mensagem é um tornear da ideia de Tolkien que aqueles que mais lutam contra o escape às normalidades são habitualmente carcereiros. Ler, descobrir, imaginar são acções que quebram grilhões. Leiam aqui, em inglês, tudo o que o autor tem para dizer. Porque vale a pena: Why Our Future Depends On Libraries, Reading and Daydreaming.

domingo, 6 de outubro de 2013

Porquê ler FC?

Porquê ler Ficção Científica e Fantástica? Podemos pensar em muitas razões que vão da exposição à imaginação pura à capacidade de especulação com base em conceitos científicos. No que toca à aprendizagem de línguas maternas e não maternas, estímulo ao gosto pela leitura e abordagem aos elementos das estruturas narrativas e gramática o Plano Nacional de Leitura dá-nos um conjunto de razões pertinentes para descobrir estes géneros literários, caracterizando-os de acordo com a sua estrutura e potenciais formativos:

Estrutura:
• Relato de acontecimentos que pelo facto de se desenrolarem no futuro ou em mundos paralelos incentivam uma utilização muito livre das várias estruturas típicas da narrativa.
• A sequência que pode ser ou não cronológica inclui geralmente o recurso ao flash-back e projecções no futuro.
• As personagens – seres humanos deslocados do seu ambiente, indivíduos com poderes especiais, extraterrestres, etc. – combinam exotismo e credibilidade pois as emoções e sentimentos, embora muito circunstanciados, são afinal os de sempre.
• Encontros, conflitos, peripécias variadas funcionam com pretexto para apresentar ao leitor tecnologias inéditas, feitiçarias.
 • As histórias desenrolam-se em lugares imaginários, outros planetas, a quarta dimensão, a Terra no futuro, cidades reais modificadas, recantos do mundo com um toque mágico, etc.
• A linguagem recorre com frequência a longas descrições, sem no entanto prescindir dos diálogos. Inclui vocabulário e construções gramaticais pouco vulgares e em certos casos, linguagens alternativas.

Potencial formativo:
• Estimula a imaginação e desafia o leitor a posicionar-se noutros universos.
• Desenvolve a capacidade de ler textos que intercalam tempos diferentes.
• Oferece cenários que extravasam o conhecimento do mundo real e estimulam o desejo de conceber espaços originais.
• Permite a evasão dos problemas e tensões do quotidiano através do convívio com personagens que possuem características e poderes próprios do sonho.
• Contribui para o enriquecimento do vocabulário.
• Promove a compreensão de construções gramaticais menos frequentes.

(Retirado do website do PNL)

domingo, 29 de setembro de 2013

Cinco Livros

Cinco livros para descobrir a ficção científica. A sugestão partiu do crítico britânico Damien Walters, que pensou em cinco obras capazes de mostrar aos leitores desconhecedores do género o poder das ficções especulativas e fantásticas, que vai mais além do lado confessamente divertido das naves espaciais e lutas com raios laser no espaço. Walters sugere The Sparrow de Mary Russell, Pattern Recogntion de William Gibson, A Mão Esquerda da Escuridão de Ursula K. LeGuin, The Player of Games de Iain M. Banks e China Mountain Zhang de Maureen McHugh. Destes, apenas LeGuin e William Gibson têm obras publicadas em português e merecem a leitura.

Em portugês, o blogger e jornalista João Campos seleccionou cinco excelentes livros que são uma boa introdução ao género, quer em termos de ideias quer de qualidade literária: Um Cântico para Leibowitz de Walter Miller Jr., Flores para Algernon de Daniel Keyes (desafio quem quer que seja a não se emocionar com este livro), O Tormento dos Céus  de Ursula K. LeGuin, A Guerra Eterna de Joe Haldeman e O Homem Duplo de Philip K. Dick. Estes livros foram editados em português. Alguns são difíceis de encontrar nas livrarias, mas normalmente encontram-se nas livrarias online a preços convidativos.

As minhas escolhas são mais abrangentes e olham para a FC e para as transgressões literárias que atravessam géneros. Sugiro As Cidades Invisíveis de Italo Calvino, Olá América de J.G. Ballard, Laranja Mecânica de Anthony Burgess, Babel 17 de Samuel R. Delany e qualquer livro de Ray Bradbury. Calvino e Bradbury encontram-se sem dificuldade nas livrarias, os restantes é um pouco mais difícil.

quinta-feira, 26 de setembro de 2013

Jetpack


As fronteiras literárias não são tão rígidas quanto parecem. Mas quando aqueles géneros de que gostamos parecem ser menorizados, recordem-se: se calhar gostariam de ter qualquer coisa... mais brincadeiras interessantes com as leituras fantásticas no You're All Just Jealous Of My Jetpack.

sábado, 21 de setembro de 2013

Bang!


Sabias que podes ler uma revista sobre ficção científica e fantasia em português completamente gratuita? A revista Bang!, editada pela Saída de Emergência, está disponível nas livrarias Fnac de quatro em quatro meses. Não custa nada, é só levar... a Bang! está cheia de novidades sobre literatura fantástica, banda desenhada, contos de autores portugueses e estrangeiros, e sugestões literárias para descobrir. Também pode ser lida em formato digital, sem custos. Para descarregar todas as edições da revista visitem a página Revista Bang!. Divirtam-se com leituras fantásticas!