domingo, 16 de fevereiro de 2014

O Oceano no Fim do Caminho



Neil Gaiman (2014). O Oceano no Fim do Caminho. Lisboa: Presença.

Entre o hype mediático e a ansiedade dos fãs de Gaiman este era talvez um dos livros mais aguardados do momento. O autor não desilude, trazendo-nos um dos seus já habituais contos em que as barreiras do real são difusas e personagens em jornadas de auto-descoberta se cruzam com criaturas míticas, forças ocultas e segredos milenares.

Apesar de definido com um livro "adulto", estruturalmente parece muito similar a Coraline, só que em vez de uma rapariga que se sente ignorada pelos pais temos um rapaz que vive com o nariz enfiado nos livros como herói, as forças malévolas não estão do lado de lá do espelho mas vêm de terras e tempos distantes paralelos ao nosso, as personagens secundárias excêntricas que ajudam Coraline são aqui três mulheres de idade incerta que vigiam a eternidade e são vagamente insinuadas como mitos encarnados que se manifestam na mais nova, com o aspecto de uma criança, que salva o ingénuo rapaz amante de livros de ameaças de criaturaras aparentemene todo poderosas. O oceano no lago é um portal para outras eras e geografias de onde se escapa uma criatura que nada mais quer fazer do que agradar, e para isso afoga as suas vítimas em riquezas. E há um gato, claro. Uma história de Gaiman com uma criança a descobrir um mundo onde realidade e fantasia se misturam sem um gato misterioso que se torna companheiro inseparável do inocente personagem principal, bem, não seria uma história de Gaiman.

O Oceano no Fim do Caminho é um típico livro de Neil Gaiman, escritor formulaico cujas narrativas seguem sempre a mesma estrutura, apenas variando os adereços visuais das aventuras dos seus personagens. O que safa Gaiman é a sonoridade da sua prosa, que encanta, embala e deixa o leitor embrenhar-se na história. Gaiman faz parecer fácil o contar de uma boa história.

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